sábado, 29 de maio de 2010

As lágrimas


Ontem chorei. Não compreendia as lágrimas que pingavam no papel em branco. Duvidava se realmente estava a escrever uma dor que gritava sobre aquele branco que parecia não escurecer.
Escuro era o silêncio da caneta que teimava em não exprimir o que sou.
Não foi uma dúvida existencial. Foi algo sem vírgulas, espontâneo, como se percorresse os recônditos da minha alma em busca a resposta à dor.
Mas depois veio o ponto final. Disse-me para começar de novo. maldita a hora em decidi ser "escritor". Julgava eu que poderia dizer o que é o amor através das palavras
Por isso deixei que as lágrimas secassem naquele papel anteriormente desabitado. Lembrei-me. Lembrei-me que o lar está dentro de nós.
Lembrei-me que todos aqueles que amo estão aqui dentro e lembrei-me que a queM mais amo anda por aí. Em qualquer chão que pise, em qualquer mililitro de oxigênio que respire.

Amaldiçoados aqueles que não sabem chorar. Ignoram que o rosto se enrijece para depois sorrir. Afinal não é isso que vem depois do choro?
O sorriso dissimulado, como se finalmente D. Sebastião tivesse aparecido através do nevoeiro. tenho tantas certezas e tantas dúvidas, que me lembro agora que chorei porque te amo.
Não te preocupes. Se em cada dúvida me esquecer quem és, haverá sempre a certeza de que te amo. É essa que me faz viver e renascer em cada dia. E depois vem a dúvida. E depois vem a expectativa. É isso que faz a Terra girar. É isso que faz o Universo ter todos os planetas na órbita que movimenta isto tudo. Até este texto, que pensava que poderia terminar, me deixa na expectativa. Reticências. É o que todos precisamos. Foi o que trouxeste à minha vida. Há melhor coisa do que as reticências?

Lobo Soltário.
Cálice sem fim.

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