quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Apanhador de sonhos




Este vento bravo que me toca
Esta chuva miúda que ensopa e acalma
Esta cor cinza no mar de cima
Esmorece a minha alma pobre

Poeta!
A palavra finda vazia já sem cor
A última rima que fora levada num sopro
Ficaste em teu peito, apenas como uma fria dor

Vilipendiado coração!
Percorrendo essas tuas ruas vazias
Nesta cidade inventada de mim
Em uma pobre noite que aprisiona o dia

Eram cinza os dias que borrei
A casa dos meus sonhos feita de pão
A criançada nunca esgotava a gargalhada
Um cão de meigo olhar não fala, nunca late
Um quadrado marrom
Aprisiona o canto dourado
Onde a sua sina
É chorar todos os dias

De onde sai à tormenta
Os teus pés reféns
O grande espelho da alma no céu
A cachoeira...
Diante de uma fé acalenta.
Caldas de imensos sonhos!
Quantos passaram sem avistar?
Mas fiz um na areia do mar
A onda levou...

Criei enormes sonhos
Criei calda flamejante
Para notar o sorriso da lua
Pareciam fogos de artifício
Era o meu oficio desenhar
Deixei um imenso espaço que o mar
Abocanha todas as manhãs
 Destinei uma parte clara
Separei as cores mais vivas
Pedi a estrela mais bela o mais caro desejo.
A estória mais longa diante do mar
O sonho e seu desejo mais longínquo
Desenhos e um sorriso na mão
Uma criança nas alturas
Como se fosse borboletas em campos vastos
Essa linda criança a procura do seu mais doce sonho...

Leandro Tavares - Baerdal
Cálice sem fim

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